Uma parte de um pequeno texto que eu escrevi há muito tempo. Espero que gostem.
I.Introitus
Requiem aeternam dona eis, Domine
Et lux perpetua luceat eis.
Te decet hymnus, Deus, in Sion,
et tibi reddetur votum in Jerusalem:
Exaudi orationem meam,
ad te omnis caro veniet.
Requiem aeternam dona eis, Domine
Et lux perpetua luceat eis.
Um corpo jazia no chão do quarto. Um corpo de uma mulher. O corpo dela. Ela tinha cabelos castanhos compridos, uma boca carnuda, de onde já saíram palavras doces e, também, palavras de ódio, uma boca que já foi beijada e já beijou, olhos negros, onde seus mais profundos segredos estavam guardados, olhos que um dia já choraram de tristeza, que um dia brilhou de alegria, e agora permaneciam sem brilho, opacos, olhavam o nada. Ela vestia o seu mais belo e caro vestido, era um vestido todo branco. Era. Agora havia uma mancha rubra em seu peito. Uma mancha deixada pelo seu próprio sangue. Sangue que saía de uma abertura em seu peito. Sua feição era de tranqüilidade, de alguém que tinha visto algo lindo. Pela última vez.
Próximo a ela estava uma sombra, escura. Estava de pé, fitava o corpo incansavelmente. Em seu rosto estava estampado um sorriso, e pelo mesmo rosto corria uma lágrima. Não era uma lágrima de tristeza, muito menos de arrependimento. Era algo próximo da felicidade. Estava segurando uma faca. Nela havia sangue.
Agora ela repousa. Sem mais problemas, sem mais tristezas, mas também sem alegrias. Não tinha mais com o que se preocupar.
A luz da vela acesa em cima da cômoda iluminava o seu corpo. Essa era luz perpétua.
| 1 Repouso eterno dá-lhes, Senhor/ E luz perpétua os ilumine/ Tu és digno de hinos, ó Deus, em Sião/ E a ti rendemos homenagens em Jerusalém:/ Ouve a minha oração,/ Diante de Ti toda carne comparecerá/ Repouso eterno dá-lhes, Senhor/ E luz perpétua os ilumine. |