II.Kyrie
Kyrie eleison.
Christe eleison.
Kyrie eleison.
A lua estava cheia e o luar entrava pela janela do quarto, mas não conseguia iluminar o corpo dela. O corpo do anjo. Agora ela parecia um anjo. E fora um, um anjo piedoso que a levou. Fora um anjo que a tocou, e a fez feliz. Fora um anjo que a beijou pela última vez.
A piedade poderia ser uma das coisas importantes para se pensar ali. A piedade para com ela. Mas não havia, não ali. Somente no lugar para onde ela tinha ido.
III.Sequentia
1 – Dies irae
Dies irae, dies illa
Solvet saeclum in favilla
Teste David cum Sibylla
Quantus tremor est futurus,
Quando judex est venturus,
Cuncta stricte discussurus.
A sombra não estava mais no quarto onde se encontrava o corpo dela. Só havia a faca, ainda suja com o sangue, jogada no chão. Só havia a faca, a vela e por cima da cômoda, cinzas. Um papel fora queimado ali. O que era um papel agora são cinzas. Assim como o mundo dela, que se transformara em cinzas, assim como o papel. E também será o mesmo destino dela, se transformar em cinzas.
Dia de ira, aquele dia. Aquele dia, o dia do juízo final. O juiz já deu sua sentença. Não há como voltar atrás. Não há mais o que temer.
O corpo dela ainda se encontrava no chão do quarto. A mancha rubra em seu peito ainda vivaz. Tudo continuava da mesma forma, exceto o silêncio que fora quebrado por passos no assoalho de madeira.
| 1 Senhor, tem piedade/ Cristo, tem piedade/ Senhor, tem piedade.2 Dia de ira, aquele dia/ No qual o mundo se tornará em cinzas/ Assim testificam Davi e Sibila/ Quanto temor haverá então,/ Quando o Juiz vier/ Para julgar com rigor todas as coisas. |